sábado, 6 de outubro de 2007

Devaneios de um autista

"O ano era 95, eu acho. O mês eu não lembro e o dia... muito menos. Sei que comia algo que nunca havia comido até então. Minha vida seguia um trilho meio incontrolável antes de acontecer aquilo. Mas se controlou depois deste dia inesquecível. Pode ter sido o clima, a taxa de juros, a posição do São Paulo no campeonato paulista. Enfim, comi com vontade aquele último pedaço. O que era... agora não me vem a mente. Tenho certeza que era gostoso e que saboreei por alguns minutos, que não contei também. Aliás, seria irrelevante pra esta história.

Não sei por que disse aquilo para aquela pessoa. Pareceu não gostar. Talvez pelo momento... sei lá. Não falaria aquilo de graça. Se o irritei, que se foda. Mas, que não tenha se fodido até hoje. Não desejo isso nem para um senador qualquer, quanto mais para o meu pior inimigo (usei esta frase feita, mas nem sei se o cara era meu inimigo, quanto mais o pior).

Mas foi a partir disto que aconteceu o que devia ter acontecido, mas que eu não esperava que acontecesse. Foi de repente, de supetão, pa pim pum da Estrela. Não que eu seja surpreendido facilmente, porém aquilo superou a inprevisibilidade de qualquer acontecimento.

Quando desviei o olhar dos olhos do meu "inimigo", fitei aquela pessoa vestida de uma forma irreconhecível, mas com classe. Ela veio em minha direção com um ar de quem não quer nada. Parou a 2,37, mais ou menos... deu meia volta e sumiu na escuridão.

Aquilo me intrigou profundamente por vários dias. Nunca, até então, alguém tinha chegado a 2,37 e dado meia volta daquela forma. Mas, me controlei, enfim. Era isto que eu precisava: um enigma a resolver. Quem era o cidadão? Por quê deu meia volta? Por quê sumiu na escuridão?

Porém, não resolvi porra nenhuma de enigma. Minha vida era muito boa para poder me poupar de minhas futilidades como jogar pega vareta, resta 1, paciência e futebol com meu amigo imaginário.

Foi assim, comparando uma vida com a outra, que me situei em qual caminho seguir. Um lampejo de mistério me persegue até hoje, entretanto, não me interessa mais saber quem era aquela pessoa. Estou feliz por saber que amanhã terei mais um dia entre tantos outros 365. E se for pra ser será, ou não. Mas estarei pronto para o que vier daqui em diante e acho que é isto que importa para quem busca a felicidade."

3 comentários:

Anônimo disse...

Deu uma de Clarice Lispector agora..
hahaha abraçs

Maria Luiza disse...

pulso à testa :D
HAIAUHAUI

adooorei
viajei totalmente!
o anônimo tem razão
muuuuito Clarice Lispector.
(entenda como um elogio)

:*

verônica, a pequena disse...

o.O


quero mais!