sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sim, Eu Fui ao Paraguai

*Os acontecimentos redigidos a seguir se passaram no dia 27/12. Os horários foram arredondados, mas tudo que está aí aconteceu mesmo. Releve meu status de Laranjas para este post.

03:00
Pela casa a sinfonia Tavella ressoa por todos os cantos. Sou o único na platéia. Do avô ao primo mais novo, todos roncam.

05:30
O despertador da minha irmã a acorda. Em seguida, ela me acorda. Vamos ao Paraguai. Ciudad del Este, fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná. Duas tias, minha mãe e minha irmã são minha companhia. Escovo os dentes me perguntando: que merda está fazendo? Você vai se ferrar!

06:15
Estamos na estrada. Minha tia (a guia) dirige, eu vou no banco ao lado. Atrás o restante dos turistas, muambeiros, sacoleiros, mãos de vaca... viajamos tranquilos. Chegaremos em Foz às 08:00

08:15
Acabamos de cruzar a Ponte da Amizade, após deixarmos o carro num estacionamento à 800 m da ponte. Estou animado, mas um comentário da tia guia me atordoa. "Nunca vi este movimento antes. Tá cheio demais". Diz isto com um sorriso de quem já veio mais de 10 vezes e nunca se cansou da maratona.
Viro a direita, após o final da ponte e então... o caos: cada metro quadrado encerra 6 pessoas em média. Cruzo o primeiro ambulante que oferece óculos escuros, cinto, colares, etc. A partir daí não para mais: entra em loja, sai de loja. Recusa ambulantes, esbarra nas pessoas, entra em loja, sai de loja. Uma ficou para trás. Espera, enquanto recusa ambulantes. Entra em loja, de roupa geralmente (um imã para mulheres), espera, sai da loja e mais ambulantes... neste ritmo, sem trégua até as 14:00.

13:00
Falta metade das compras. Nunca sairemos daqui às 14:00. A temperatura está em 38º C. Um ambulante acaba de me informar. Agora, a média de pessoas por metro quadrado já está em 7 pessoas.

13:45
A tia guia e minha irmã partem em busca de um álbum de fotografia.

14:10
A tia guia e minha irmã voltam onde nos encontramos sentados (degrau de uma escada), ao som de fitas crepes que fecham caixas num dos shoppings da cidade. Voltam sem o maldito álbum.

14:20
Estamos próximos da saída. Entramos numa galeria nova (acho que entramos em todas, menos nesta), assim, bem perto da saída. Me sinto num episódio da Caverna do Dragão com o portal aberto e eu prestes a voltar para casa. Mas como no desenho...
Nesta galeria há um banco. Me sento para descansar, pois carrego um trambolho, que meu pai encomendara, que pesa uns 7 Kgs e estou a andar desde às 08:00.
As duas tias e minha irmã vão para a parte superior da loja.

14:25
Minha irmã volta ao banco onde me encontro enfadado e entediado ao lado da minha mãe. "Tá uma loucura lá em cima", ela diz. Alguns minutos depois e ela propõe comprar um presente de aniversário para minha mãe (completará 50 anos no dia 04/01). Estimulo a ir (atitude estupida da minha parte como verão a seguir).

14:40
A tia guia chega avisando que se perdeu da outra tia e diz que lá, na parte superior, está uma loucura (eu sei, tia). Minha mãe, a pouco havia saído em busca das duas e minha irmã, nada. Ou seja, desencontro total. Sai a tia guia em busca das duas na parte superior.
Me sinto num ato de uma comédia.
Volta minha mãe sozinha (não agüento mais isto). Está preocupada com minha irmã que não deu sinal de vida. Alguns minutos depois e chegam as tias. Uma delas me traz uma camiseta de presente (só queria sair deste inferno). A tia guia pergunta da minha irmã. Sai em busca da dita cuja.

15:05
Chegam as duas sorridentes e com todo o gás. Dói ficar sentado, dói ficar em pé. Vamos a última compra do dia: um som para o carro.
É a última loja antes da ponte. Não tem o som.
A tia guia e minha irmã saem atrás deste maldito som em outra loja ali perto. O restante se senta no chão mesmo.

15:15
Vamos embora. Até que enfim! Não é tão mal assim. Só uma hora de atraso. A tia guia acaba com meu alívio. Diz que teremos que passar pela Receita Federal para declararmos a mercadoria para seguir viagem em paz pelo país. Isto quer dizer... fila.
Chegamos ao final dela às 15:30. Saímos dela às 17:00. Ficamos neste tempo sob um sol duplicado de tamanho e uma temperatura de mais de 40º C. Os ambulantes continuam. Vendem canetas para preencher a declaração, água, refrigerante e cerveja.
(Durante a fila começou a chover e eis que surgiram ambulantes com guarda-chuva. São um fenômeno!)

17:10
Enfim, piso no Brasil. Como eu amo este país! Seus produtos superfaturados, seus impostos, seus políticos desonestos...

Paraguai, até o ano que vem

2 comentários:

Anônimo disse...

trouxe presente pra mim?

:)

moambeiro :P

:*

Malu disse...

é a Malu ali em cima :D

(*imagina se não ia ser)