terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Mensagem de fim-de-ano LARANJA


O LARANJAS é um blog que preza, essencialmente, pela responsabilidade social, como nossos milhares de leitores já notaram. Nada mais apropriado, portanto, que lancemos uma mensagem de fim-de-ano de alerta, preocupados que estamos com os excessos alcólicos que vemos sujeitos irresponsáveis cometerem todos os dias. E o quadro só piora nas festas de fim-de-ano. Assim, estamos aqui informando sobre os perigos do uso da cachaça (e da vodka, da cerveja, do uísque, etc), baseados em experiências reais pelas quais nós, LARANJAS, não passamos. Repetindo: experiências de outros, não nossas.


* * * *


Gostaria de começar pedindo desculpas ao meu pai, por ter vomitado no estofamento de couro do seu carro novinho, após tomar meu primeiro porre numa festinha, onde consumi duas latas de cerveja e três cubas de Fanta Uva. Peço desculpas, também, por ter vomitado em sua calça, no pronto-socorro, quando do meu segundo porre. Ainda referente a essa data, peço desculpas à equipe do Hospital de Caridade por ter vomitado nos corredores do hospital e por ter assediado sexualmente as enfermeiras que estavam de plantão. Não posso esquecer do enfermeiro Rosemiro, a quem mandei que enfiasse a injeção de glicose no... bem, ele sabe.

Peço desculpas à minha mãe, pelas horas intermináveis de preocupação se eu chegaria vivo em casa. Isso até eu começar a dirigir, quando, para seu próprio bem, ela começou a tomar fortes sedativos. Portanto, peço desculpas pela dependência que ela acabou adquirindo. Cabe agradecer à mamãe pelas sopinhas e chazinhos milagrosos que ajudavam a curar ressacas homéricas. No entanto, peço desculpas a ela pelas várias vezes em que disse que a sopa tinha gosto de merda e que tinha a aparência de uma diarréia sofrida por um cavalo, além de dizer que o chá fedia a Kiboa, como o banheiro de uma rodoviária.

Aproveito a deixa para agradecer a complacência do corpo docente do Colégio Coração de Jesus com meus constantes atrasos e cochilos durante as aulas, no período da manhã. Peço desculpas especiais à adorável Dona Cleusa, professora de português, pela vez em que ela me perguntou qual era o coletivo de piranha e eu respondi "Café Cancun", pois havia emendado a noite direto da boate para a aula e estava bêbado e revoltado por não ter conseguido agarrar ninguém. Devo também me desculpar aos donos desse estabelecimento pelos incontáveis copos quebrados, brigas com seguranças, brigas com barmans, brigas com outros clientes e pela vez que atirei uma garrafa de vodka contra um DJ, causando uma briga generalizada e o encerramento da festa, pois este sofreu uma concussão e teve de ser hospitalizado. Peço desculpas também pelas vezes em que vomitei na pista de dança e e urinei no chão do banheiro, e vice-versa. Esse último pedido é extensivo aos donos das seguintes casas: Dizzy, Nostradamus, Refinaria, Latitude 27, Ibiza, X Music Hall, Lupus Beer, Coconut Groove, Container's Disco, Chandon, Shampoo, Ilha do Cascaes, John Bull Pub, Club Sixteen, Albino Disco Club e Macarronada Italiana.

Já que estamos nesse assunto, agradeço a todas as mulheres que não me agrediram quando eu as abordava alcoolizado e proferia galanteios dignos de um Alexandre Frota, crente que, por algum motivo, estava agradando. Vai um agradecimento ainda mais forte, àquelas que, dentro desse grupo, insistiram na não-violência mesmo após eu, ao tomar um corte, dizer que eram feias e/ou gordas, que deviam ser sapatões e que precisavam ser introduzidas por um enorme... bem, elas sabem. Peço desculpas pelos impropérios, até mesmo à Sílvia Regina e à Renatona, que provavelmente se enquadravam nessas categorias. Gostaria muito de me desculpar com o gênero feminino em geral, pelo trauma que minhas abordagens e meu cheiro de vodka barata e desodorante Senador devem ter causado em várias de suas representantes, às quais eu, como disse, achava que estava agradando.

Reservo um páragrafo em especial para as mulheres que consegui conquistar, tenham sido por obra da misericórdia de Deus ou porque lhes paguei. Agradeço, inicialmente, à gentil Jéssica, que, mesmo tendo chegado havia poucas horas do Mato Grosso, aceitou tirar minha virgindade pela metade de seu preço normal, pois eu não tinha muito dinheiro e o táxi para voltar do Kobrasol em bandeira dois era caríssimo. Agradeço a ela, também, por ter deixado dinheiro suficiente para um ônibus, ao aproveitar-se da minha bebedeira e do cansaço pós-coito para roubar minha carteira. Peço desculpas àquelas cujos nomes esqueci, mas, principalmente, àquelas cujos nomes lembrei, sendo, portanto, capaz de ligar no dia seguinte. Agradeço às que não desligaram na minha cara, mesmo quando eu me identificava como "o fodão da noite passada". Portanto, obrigado à Walewska e à Shyrlley, que passaram horas nos orelhões de seus respectivos conjuntos habitacionais falando comigo. Devo me desculpar às mulheres com as quais não pude realizar satisfatoriamente minha performance sexual, graças aos efeitos do álcool. Me envergonha a vez em que, constrangido por mais um ato de inércia peniana, fugi do motel Fiesta, deixando para trás uma jovem virgem e uma conta não paga da mitológica promoção "Vapt-vupt: 15 minutos por 5 reais".

Dedico um parágrafo ainda mais especial a minha querida Robélia, a única mulher que aceitou namorar comigo em todos esses anos. Desculpe-me por tudo, Robélia, mas principalmente pelas seguintes atitudes:
1 – comemorar nosso aniversário de um mês de namoro levando você a um jogo do Avaí contra o Atlético de Ibirama pela Copa Santa Catarina, em Ibirama, e ter engrossado o coro de "puta! puta! puta!" gritado pela torcida quando você derrubou um copo de cerveja em cima de um pequeno avaiano; 2 – vomitar no seu tapete de pele de vaca; 3 – dormir em cima de você enquanto fazíamos amor; 4 – ter te esquecido, duas vezes, na Havan em Brusque; 5 – ter desaparecido por pensar que você estava grávida, quando na verdade você tinha apenas engordado; 6 – ter te visto com outro homem alguns meses depois e ter gritado da janela do ônibus que você era feia, gorda, sapatão e que precisava voltar a ser introduzida pelo meu enorme... bem, você sabe.

Finalmente, agradeço ao delegado Peixoto e a toda a equipe do 10º DP, no qual me encontro agora, após ter sido preso por correr nu na avenida Beira-Mar Norte na madrugada de ontem, por terem me colocado numa cela especial, evitando assim que eu fosse estuprado por outros detentos, pois, como eu disse, estou nu. Peço desculpas a eles por ter vomitado na viatura e em cima da máquina de escrever Olivetti, na qual o escrivão registrava a ocorrência. Agradeço a eles por me estimularem a dar início a uma vida regrada e livre do álcool, começando por esse texto que devo divulgar aos meus amigos, para que não cometam os mesmos erros que eu. Agradeço por me darem motivação suficiente ao dizerem que, se eu não o fizer, mandarão o carcereiro Nélsão, um rapaz negro de 2 metros de altura e que também é conhecido como Pé-de-Mesa, ir até a minha casa para comer a minha... bem, eu sei.

Texto originalmente publicado no jornal do DAAG, na ESAG, em 2004, onde, por motivos que até hoje não compreendo, eu tinha uma coluna.

6 comentários:

Nat izidoro disse...

hahaha..mandou mto bem, brunoo! engra�ado demaiss!

Paula disse...

Poxa Volps, não lembrava desse texto...vou fuçar meus arquivos de jornais lá em casa hehehe
Acho engraçado, q no jornalismo pelo visto tdo mundo te chama de bruno e não de volpato hehehehe
Até sábado!!!
Bjokas

Fernando Silva disse...

Pois é, pior era eu perguntando pro Seu Moalda "e o Volpato, como tá?" Sorte minha que ele entendeu, em vez de dar uma resposta do tipo "eu vou bem, obrigado".

Malu disse...

muito bom Volps!

e no caso de comemorar 1 mês de namoro no jogo do Avaí,
se fosse eu a garota,
ia adoraaaar!

HAOIUAHUI
que dúvida né!
:*

Anônimo disse...

e a parte do "puta! puta! puta!"??

Fora que o jogo era em Ibirama...

Sei não se ia gostar...

Gustavo disse...

Cara, não tinha lido esse texto ainda. To me rachando de rir aqui, hehe

Excelente!!