sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Editorial: Rebecão e as mulheres no esporte

O escândalo de doping envolvendo a nadadora brasileira Rebeca Gusmão reacendeu, essa semana, um velho debate das mesas de botequim: o que nós, homens, queremos dos esportes femininos? Rebecão está num mato sem cachorro, pois, além da musculatura de um cavalo e da barba rala, ela agora ostenta resultados suspeitos em exames de urina, colhida nos Jogos Panamericanos (e não numa recente operação de fimose, como insiste a imprensa marrom e golpista). O que o LARANJAS pergunta é: por que, Rebecão, você fez isso?

Todos sabem que os esportes femininos são mais uma atividade lúdica do que realmente competitiva. É bom deixar claro que não é por culpa das abnegadas atletas, que têm o direito de fazer o que quiserem, seja com dinheiro do governo ou não. O raciocínio é muito simples: esporte, hoje, é um negócio e precisa de interesse do público para ser rentável. E é fato que o público interessado em esportes é majoritariamente masculino. O homem, esse ser bizarro, prefere disputas violentas e intensamente físicas, o que, convenhamos, não combina com o sexo-frágil. "Ué, mas homem então não gosta de ver mulher correndo atrás da bola?" pergunta a confusa leitora, acertando o ponto, mesmo que totalmente sem querer, como uma jogadora de futebol que acerta um chute no ângulo.

Homens (lembrando: o público-alvo dos esportes) gostam de ver mulheres bonitas, femininas e com belos corpos em qualquer situação (o que, aliás, é a razão da nossa existência) e nos esportes não seria diferente. Basta lembrar o frissom gerado pela seleção australiana feminina de basquete, quando adotou uniformes colantes há alguns anos: num esporte chato, feio e bobo e com meninas não exatamente lindas, a equipe conseguiu destaque e fãs pelo mundo todo. Numa área dependente de patrocinadores privados (menos no Brasil e em Cuba), isso é interessantíssimo. No Brasil também temos exemplos, como as meninas do nado sincronizado, do softball e do hóquei na grama, do qual o LARANJAS é fã (bom, pelo menos de uma jogadora específica), que souberam aliar o desempenho atlético à beleza física como fator de divulgação do esporte. Isso sem falar do vôlei, um caso de sucesso há quase duas décadas. Não entendo muito das nuances táticas do esporte, mas tenho certeza que um time com Ana Paula, Leila, Fernanda Venturini, Jaqueline, Paula Pequeno e a italiana Maurizia Cacciatore lotaria o Maracanã, mesmo num inocente desafio de três-corta.

Apesar de ser ideologicamente machista, o LARANJAS, aqui, não o é; estamos apenas analisando o esporte como negócio. O que nos faz voltar à Rebecão. Achamos que faltou visão do todo à nadadora, talvez pela excesso de testosterona (produzida naturalmente pelos testículos da atleta, de acordo com seus advogados). Há um movimento global, o qual o LARANJAS apóia entusiasticamente, pela refeminilização dos esportes femininos e Rebecão está nadando contra a maré. Queremos demonstrar todo nosso suporte às atletas que se dedicam de corpo e alma ao esporte de alto rendimento. Como consideramos o quesito alma um negócio extremamente religioso e pessoal, vamos apenas dar sugestões no tocante aos corpos: nada de dopings exagerados (Marion Jones, por exemplo, soube dosar bem suas drogas), nada de uniformes largos (novamente o vôlei é exemplo), nada de cabelos curtos (lembram da Sissi?), nada de maiôs enormes (por que não biquinis?) e nada de handebol. Sério, handebol feminino não dá.

É bom deixar claro que o LARANJAS não sonha com um mundo utópico em que todas as atletas sejam maravilhosas, como Maria Sharapova, Flávia Delaroli, Catalina Ponor ou a nossa querida colega de sala que joga hóquei. Queremos, apenas, reforçar a tese de que o surpreendente (hahaha) doping da Rebecão tem algo a ensinar. Não, nada a ver com não usar drogas. Cremos apenas que a busca pela excelência no desempenho atlético não deve vitimar a feminilidade, atributo que ganha destaque nas mulheres mais interessantes que conhecemos. Meninas, não caiam na tentação dos laboratórios e dos personal-trainers psicóticos e deixem a virilidade para esses seres inseguros que somos nós, os homens.

5 comentários:

Tiago disse...

Hahah, muito boa essa!!!
Só torce pra Rebeca Gusmão não entrar por acaso no blog!!Aí é que o bicho pega! uhauhauha

Malu disse...

VOLPATO
PERFEITO!

dispensa mais palavras :*

Paula disse...

Toda a vez que entro aqui e leio um post sei exatamente quando é você que escreve, Volpato hehehe
Poxa desde a época do Pan suspeitava dessa Rebeca aí...nem foi novidade hehehe

Bjooo

Patricia Volpato disse...

Excelente texto Bruno...Parabéns /beijo Pat

yasmine disse...

Texto muito bom, realmente...mas NÃO é machista?