terça-feira, 12 de agosto de 2008

LARANJAS nas Olimpíadas: entrevista com João Derly

Seguindo a tradição de amareladas históricas do Brasil em Jogos Olímpicos, o judoca bi-campeão mundial João Derly foi eliminado logo na primeira luta em Pequim. Ele se junta a um panteão de grandes borradas nas calças, como os times de futebol masculino de 96 e 2000, o time de vôlei feminino de 2004, Baloubet du Rouet em 2000, Adriana Behar e Shelda em 2000, Daiane dos Santos em 2004 e o glorioso Bimba também em 2004. O LARANJAS conseguiu uma entrevista exclusiva com o judoca gaúcho, onde tentamos expressar todo nosso sentimento pelo rapaz.

L: Que bosta, heinhô?!
JD: Pois é...
L: Pois é o caralho! Puta que pariu, bicho!
JD: O jeito é seguir em frente...
L: Não, cara, fodeu! Acabou!
JD: É, fodeu.

Mas sério... Falar o quê numa hora dessas?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

LARANJAS nas Olimpíadas: os primeiros dias

O LARANJAS está nas Olimpíadas! Mantivemos o segredo para surpreender nossos 17 leitores, embora, no fundo, vocês evidentemente soubessem que não ficaríamos de fora dessa. Isso explica a absoluta ausência de posts nas últimas semanas. É verdade, não tem nada a ver com preguiça, abstinência alcoólica ou crises psicológicas; era só a preparação para os jogos mesmo. No entanto, nossa cobertura é pirata e, sendo assim, não teremos acesso a nenhum evento ou estrutura para jornalistas. Pelo menos não oficialmente.

O fato é que estou aqui desde quinta-feira, após a abertura do torneio de futebol. O primeiro dia foi dedicado a dar um jeito de entrar na China. Sem visto, sem passagem de volta e sem vergonha, restou-me apelar a um subterfúgio do qual não me orgulho em ser especialista: o suborno sexual. Para minha felicidade, a pessoa responsável por checar meus documentos foi uma adorável chinesinha. Fui paciente, carinhoso e gentil. Devo admitir, porém, que só fui descobrir que se tratava de uma mulher quando ela removeu as calças. Sabe como é esse pessoal oriental... Enfim, tudo em nome do jornalismo.

O LARANJAS, obviamente, não pode ser acessado na China. Nosso posicionamento crítico em relação ao uso ostensivo de arroz na culinária local nos colocou na lista negra do partidão.De qualquer forma, eu não tinha um puto para gastar na lan house estatal de Pequim, chamada Lan Lan. O único dinheiro que levei foram aquelas notinhas do China in Box que a gente usa para trocar por rolinhos primavera. A funcionária da lan house foi simpática e explicou que não poderia aceitar as notinhas, pois aquela promoção terminou em março. O que estava valendo agora, disse ela, eram a promoção das "raspadinhas chinesas". Espirituoso, fiz um comentário sobre a funcionária da imigração, mas a moça não achou graça e pediu que eu me retirasse. No fim das contas, só hoje consegui acesso à internet e ao LARANJAS, mas essa história fica para depois.

Após jantar escorpiões de rua (de rua mesmo, crus, não aquela turistagem bicha de escorpiões fritos), fui descobrir uma forma de participar da cerimônia de abertura. No escritório de recrutamento de voluntários, fui informado que restava apenas uma vaga para a equipe de acendimento da pira olímpica. Um trabalho glamouroso, que envolvia jogar carvão numa fornalha secreta por 18 horas seguidas. Infelizmente, o partidão tinha reservado essa vaga para algum monge tibetano. Provavelmente pela disciplina e calma características do Tibete. Fazer o quê?

(...) continua

terça-feira, 22 de julho de 2008

Aniversário de Prostíbulo é Pauta da Câmara Municipal de Florianópolis (SC)

A pedido do vereador Dalmo Deusdedit Meneses (PP), a "casa de massagem" "Scorpions" será homenageada, em sessão extraordinária desta quarta-feira (23/07), na Câmara Municipal de Florianópolis. "A empresa e sua equipe proporcionam momentos de descontração aos clientes", justificou o distinto vereador. Colocado em votação pelo presidente da Casa, vereador Ptolomeu Bittencourt Junior (DEM), o pedido foi aceito por unanimidade (a vereadora Ângela Albino (PCdoB) não estava presente na votação) após entrarem em consenso pelo voto secreto.

Frequentado por todo tipo de gente, principalmente por políticos, a "casa noturna" completa 11 anos de existência no próximo domingo, dia 27. Kita, proprietária da "Scorpions", não se surpreendeu com a iniciativa do estimado cliente. "Era o mínimo que ele e a nobre casa poderiam fazer pelos serviços prestados a comunidade", disse ao Laranjas a satisfeita tia Kita (como é conhecida por todos).

A homenagem está marcada para às 20:00 e não está aberta ao público. Uma van foi fretada para levar as meninas até a Câmara.

sábado, 19 de julho de 2008

Seção Presunto Fresco (nem tão Fresco): Dercy Gonçalves


Para você que tem uma vida regada a aventuras, bebidas, cigarros e vive sempre correndo perigo. Cuidado! Até a Dercy Gonçalves morreu. Eu também não acreditei, mas...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Marcinho, do flamengo, e Ronaldo Fenômeno, do mundo, encabeçam campanha visando a humanização da profissão de meretriz

Nesta quinta feira os craques anunciaram que os recentes escândalos foram só uma maneira de chamar a atenção da mídia para esta profissão mal remunerada e sem assistência social. Neste momento, alguns chefes das maiores lideranças brasileiras, ONGs, estão reunidos a fim de construir uma cartilha pela legalização da profissão e pelo direito e preservação do corpo e do intelecto das garotas de programa.

Alguns itens que devem compor a cartilha:


- Não é direito do consumidor reclamar seu dinheiro de volta após o consumo por quaisquer motivos.
- Não é permitido que jogadores de futebol se envolvam com garotas e programas em sítios longe da cidade.
- Não é permitido esconder o verdadeiro sexo ao cliente, mesmo que o mesmo seja claramente visível.
- Não é permitido manter este tipo de relação profissional em empreendimentos comerciais de terceiros, sem a apresentação prévia de autorização do proprietário autenticada em cartório.
- Não é permitido este tipo de negócio com menores de 18 anos, sem o consentimento dos responsáveis.
- Não é permitido este tipo de relação profissional com estrangeiros que não tenham vindo ao país a trabalho, ou que não tenham um roteiro pré-programado da sua estadia.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Editorial: Cansei de ser indie

(Esse post é apenas para fazer propaganda do meu outro brógui, o Música pra Ler, mas até que é gozadinho. E não estou sendo metafórico.)

Se você me perguntar, hoje, qual tipo de música eu mais escuto, responderei "rock indie" sem maiores ponderações. Não é porque é cool ou porque eu faço jornalismo, é porque eu gosto mesmo. Costumo dizer que o primeiro disco dos Strokes (Is this it, de 2001) salvou a minha vida musical de ser fadada a ater-se a rock feito antes de eu nascer e baladas pop. Gosto de ler blogs e colunas que me informem sobre as novidades indie, idolatro o NME, baixo muita música nova e escuto pra cacete aquelas que me agradam mais.

De vez em quando, porém, preciso de música com testosterona. Rock de macho. Sim, pois posso apontar dezenas de qualidades nas bandas indie, mas macheza em excesso não está entre elas. Basta ver as calças que os rapazes usam. O fato é que a distorção empregada nas guitarras por essas bandas não é o bastante. Volta e meio preciso estourar os falantes do meu carro com o Guns N Roses, o Queens of the Stone Age e, a maior de todas as bandas de bar, o AC/DC. Audioslave, Hellacopters e Velvet Revolver também tiveram sua fase.

Além da distorção, há várias outras diferenças menos óbvias entre as vertentes indie e hard. Em termos de temática, tomemos o primeiro disco do Guns (Appetite for destruction, 1987) como exemplo: é basicamente sexo, drogas e rock n roll. Excessivamente machista e misógino, o disco tinha na capa uma prostituta sendo estuprada por um robô e, na última faixa, uma gravação real de Axl Rose fazendo sexo com a namorada do batera Steven Adler. Quer mais? Leia a letra de "Anything goes", então e pergunte-se: quem precisa de metáforas no rock n roll?

Os indies, por outro lado, costumam ter uma abordagem mais loser em relação às mulheres. Sentimentos de inadequação em boates, insegurança para manter uma garota, romantizações em excesso, figuras de linguagem, enfim, tudo o que o Kid Abelha já fazia no começo dos anos 80. Drogas? Maconha, no máximo, e ainda de forma glamourizada. Nada de reclamar que o seu traficante estava te enrolando com a remessa semanal de heroína que mantinha a banda na estrada, como fazem os hard rockers.

Essas diferenças vêm principalmente das influências das bandas. Os indies beberam muito da geração pós-punk new wave dos anos 80 e do próprio punk, mas da vertente dos Ramones, que viria a gerar o emocore dos anos 90. Ou seja, uma turminha de perdedores deprimidos que não comiam ninguém. Os hard rockers, por outro lado, bebem do ritmo mais sacana já inventado, o blues, e também do punk, mas da vertente dos Sex Pistols, que viria a gerar o hardcore já nos anos 80. Ou seja, um pessoalzinho pervertido que gostava de bebidas vagabundas e de vagabundas bêbadas, pardon my french.

Tudo isso se reflete diretamente no som e nas letras. Os hard rockers não têm muito tempo pra ler ou estudar com tanto sexo, drogas e bebidas para passar o tempo, então acabam fazendo um som mais sujo, cru, direto e, para groupies em geral, sexy. Os indies acabam sendo melhores na exploração ritmica e nas letras, mais metafóricas e simpáticas. Ou você imagina uma banda indie lançando uma canção como "Make it wit chu", do Queens of the Stone Age? Nem sonhando. Cada estilo tem seu valor, é bom que se diga. Às vezes, porém, esse negócio de indie cansa e tenho que voltar-me para a ignorância de uma distorção no máximo e o volume no 11. Rock de macho. E não estou sendo metafórico.

terça-feira, 8 de julho de 2008

John O´Neill é o primeiro homem a dar nu a volta ao mundo

Nesta segunda feira John O´Neill conseguiu a maior façanha histórica da Irlanda desde a guerra santa e de U2. Este irlandês de 25 anos deu sozinho à volta ao mundo completamente sem roupas. Isso sem nenhum tostão furado nos bolsos.

“A maior dificuldade foi atravessar a Sibéria. Não por causa do frio, mas por causa dos pingüins. Aquelas aves malditas não me deixavam em paz. Parece que nunca tiveram atenção”. Como veio ao mundo, o percurso de John durou apenas 187 dias. “Era engraçado quando eu pedia carona. Algumas senhoras com aliança pareciam nem se importar com aquele meu estado”.

Margarida Florência, uma moça que deu carona a John durante sua rota pela Espanha confessou que “seria muito mais estranho para mim se ele entrasse no carro de saia”. Agora, muitos adolescentes que cansaram das modinhas atuais resolverem aderir à filosofia de atravessar o mundo pelado. Já são 187 adolescentes que estão percorrendo juntos as estradas da Bélgica. Porém algum oportunista no meio deles está com um cartaz com os dizeres: “Todo mundo pelado contra o aquecimento global”.

terça-feira, 1 de julho de 2008

LARANJAS apresenta outras leis destinadas aos fracasso

- Proibido o consumo de maconha em festas universitárias, principalmente nos campi de instituições federais.
- Proibido o consumo de cocaína nas festas da grã-finagem.
- Proibido o uso de perebas em times de futebol brasileiros.
- Proibido o uso de grosserias e demonstrações de recalque por parte do técnico da seleção brasileira em entrevistas coletivas.
- Proibido o uso das palavras "amor", "você" e "querer" (e todas as suas derivadas) juntas numa mesma canção de pagode;
- Proibido o uso de vocalistas iconoclastas em bandas indie.
- Proibida a formação de bandas de reggae em Florianópolis.
- Proibida a entrada de meninas menores de idade no El Divino Lounge.
- Proibida a entrada de balzacas no John Bull.
- Proibido o uso dos números 51 e 69 para designar membros (idiotas) de equipes de olimpíadas escolares.
- Proibida a publicação de dissertações de mestrado e teses de doutorado que não serão lidas por ninguém fora do círculo acadêmico.
- Proibida a publicação de jornais experimentais que não serão lidos por ninguém fora do círculo universitário.
- Proibida a criação de blogs que não serão lidos por ninguém fora do círculo de amizades dos autores.
- Proibido o surgimento de escândalos envolvendo pessoas ligadas ao PT.
- Proibido o consumo de bebidas alcóolicas no gabinete da presidência da república.
- Proibido o consumo de mulheres no gabinete da presidência da república caso o Aécio seja eleito.
- Proibida a adesão do PMDB a qualquer forma de governo vigente.
- Proibido puta gozar, cafetão ter ciúme, traficante ser viciado e pobre ser de direita.
- Proibida a realização de filmes franceses sem alguém pelado.
- Proibida a realização de filmes brasileiros que não visem o lucro e que se paguem com dinheiro público.
- Proibida a criação de cursos universitários federais que formem profissionais sem perspectivas financeiras e conseqüentemente recolhimento de tributos, como cinema, sociologia e jornalismo.

e, mais importante

- Proibida a publicação de listas em blogs que tentem mascarar, sem sucesso, que o autor está completamente sem criatividade para escrever humor.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Casa do Pedrinho" está aberta à visitação em Florianópolis

Se o seu filho também queria fazer cocô na casa do Pedrinho, chegou a chance dele realizar este sonho. O show-room itinerante da Glade está montado na praça de eventos do Beira-Mar Shopping, de hoje até o dia 10 de julho. Lá a criançada poderá fazer uso de um simulador do famoso banheiro do Pedrinho, experimentando o poder de atuação do produto Glade Toque de Frescor, que com apenas um toque elimina os maus odores, deixando um cheirinho agradável no ar. Atores mirins se revezarão no papel de Pedrinho, permanecendo no simulador para explicar as vantagens do produto enquanto a criança faz cocô, criando uma atmosfera agradável e receptiva. O papai e a mamãe ficam do lado de fora, onde já podem comprar algumas caixas do produto para colocar nos banheiros de casa, incluindo o lavabo e o banheiro da empregada, pois Glade Toque de Frescor não discrimina nenhum tipo de cocô. Ele é ideal também para presentear os amigos, que lembrarão de você toda a vez que forem evacuar. O LARANJAS foi convidado para a sessão exclusiva de lançamento dedicada a imprensa e pôde comprovar a eficácia do produto, garantindo a seus leitores que Glade Toque de Frescor venceu o desafio de perfumar o banheiro após termos almoçado lingüiça com feijão no R.U.. Lamentavelmente, no momento do nosso teste, o produto não agiu a tempo de salvar o garoto que interpretava Pedrinho no simulador, que acabou não resistindo e sofrendo uma parada cardio-respiratória, vindo a falecer. No entanto, logo depois do corpo ser retirado, percebemos o prometido cheirinho agradável no ar. Vale a pena visitar o show-room, que agora conta com uma ambulância a postos, para evitar esse tipo de constrangimento ao qual o LARANJAS foi exposto.

(Não entendeu? Clique aqui.)

terça-feira, 17 de junho de 2008

FENAJ anuncia novo prêmio anual

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), órgão que representa a classe no Brasil, anunciou hoje a criação de um novo prêmio a ser entregue anualmente, o Troféu Cacau Menezes. Será contemplado o colunista ou articulista que demonstrar maior incoerência em relação ao restante do conteúdo editorial da publicação em que escreve, no período de um ano. A cerimônia terá local no El Divino Beach e contará com o próprio Cacau como DJ, com as músicas mais tocadas em Ibiza no verão europeu. O troféu terá a forma de um globo terrestre, mas com uma foto do contemplado ocupando toda a superfície do mundinho.

A FENAJ explicou que Cacau foi escolhido para nomear o prêmio graças à sua constante mania de simplesmente ignorar as campanhas promovidas pela RBS e o alinhamento editorial do Diário Catarinense, por motivos banais e que vão totalmente contra o bom-senso. São citadas como exemplo a insistência do colunista em reclamar dos pardais da cidade de Florianópolis e do limite baixo de álcool que motoristas podem tomar, enquanto todo o grupo do qual é funcionário encampa a campanha pela paz no trânsito. A farra-do-boi, sempre denunciada nos veículos da empresa gaúcha, também ganha um tratamento estranho do jornalista mais lido de Santa Catarina, já que ele prefere apontar o nosso estado como vítima de preconceito graças ao protesto de "haoles", principalmente paulistas e, ironicamente, gaúchos, contra a farra.

Cacau foi procurado pela reportagem do LARANJAS para comentar a honraria, mas disse que estava ocupado demais marcando um amistoso do Beijo contra seleção brasileira. Ou isso ou a ida do Ronaldinho para a excursão na Jamaica. Algo assim.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Editorial: O LARANJAS ainda não morreu

Em consideração aos milhares de leitores que mandaram e-mails para a redação reclamando da seca de posts do blog, achamos que seria bom esclarecer: o LARANJAS ainda não morreu. Ainda. Estamos reavaliando o direcionamento do conteúdo, pois nos últimos meses vínhamos escrevendo textos altamente pessoais e/ou apenas opinativos, o que não era o objetivo inicial do blog. No entanto, é isso que a gente gosta de escrever, então a tendência é que redirecionemos nossos esforços para blogs pessoais. Eu tenho o meu antigo e estou criando um novo com crônicas e contos baseados em músicas; o Rafa fundou um novo há pouco tempo; e o Marcone, sei lá, vai fundar um blog só com podcasts, porque ele é gosta é de rádio.

O fato é que isso deveria ser um blog de humor e estava virando diário de adolescente. Não que sejamos muito engraçados, mas já fomos bem melhores. Então, tentaremos botar ordem na casa, postando apenas notícias falsas e nonsense ou fechando o negócio de vez. Por enquanto, o LARANJAS segue vivo. E vamos fazer um esforçopra não puxar o plug de vez.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Seção Presunto Fresco: Yves Saint-Laurent

Você já usou ou conhece alguém que já usou alguma roupa desenhada pelo recém-falecido estilista francês Yves Saint-Laurent? Pois é, nem eu.

domingo, 1 de junho de 2008

Junho, mês dos namorados!

Hoje começa a maior saga das meninas brasileiras no inverno, arranjar um namorado para ganhar presente no dia 12. Louis Vuitton, Prada, Colcci ou Rosa Chá, qualquer uma destas marcas serve. Claro, por que o que importa mesmo é a intenção.

Em contrapartida os homens buscam uma parceira devido ao fato de estarem fadigados demais com o verão para malharem no frio de junho. A barriguinha cresce e nós pomos a culpa na cerveja. Doce ilusão. Doce inverno.

É isso. O shopping, que finalmente, com o término do verão, poderá desligar o ar-condicionado de 12 mil wats de potência hora e economizar 15 mil reais mensais com energia, é o melhor lugar para os dois se encontrarem. É para ele por que mesmo barrigudinho pode mostrar que tem dinheiro para bancar as necessidades da pretendente. Claro, por que uma ida ao shopping, considerando que você consuma algo, não sai por menos de 40 reais. Ideal para ela, que pode ficar insinuando “olha que bolsa linda essa ali da Louis Vuitton, pena que é muito cara, e nunca vou poder comprar”. E o namoradão, crente que ela só está fazendo sua função de mulher de admirar as vitrines nem nota sua indireta, afinal ele nem tem em mente quando é o dia dos namorados.

Esse jeito “homem de ser” deve irritar muito as mulheres. Claro por que elas, em questão de datas, são super programadas. Sabem o que querem ganhar até no trigésimo aniversário de casamento. Isso tudo escrito no seu diário secreto guardado debaixo do travesseiro, e várias vezes acidentalmente enviado para a caixa de correio de seu namorado. Algumas delas, por odiarem tanto esse jeito do homem acabam desviando sua conduta sexual, e começam a se relacionarem com outras mulheres.

No dia onze então a menina solta a indireta, para se certificar que ele não irá esquecer do presente. “Amor, o que a gente vai fazer, amanhã, no dia dos namorados”. O cara percebe sua falha e promete uma surpresa, por que afinal, será uma surpresa até mesmo para ele. Ele a deixa em casa as nove da noite para ter certeza que ainda dê tempo de passar na CenterSom e comprar um cd daquela cantora que ela adora tanto. Aquela uma a... qual é mesmo? O jeito é levar um “cd presente’.

Mas no caminho de casa o sujeito se lembra daquela vez em 1997 em que sua avó lhe deu um cd e a única coisa que ele conseguiu foi ter que ouvir repetidamente por um ano a música “Heloísa - Mexe a cadeira” do Vinni. Ah, um horror. Cd não serve.

Ele então vai novamente ao shopping, tentar comprar um perfume ou qualquer coisa que sirva para não ter que ficar ouvindo sermões no outro dia. A única loja aberta aquele horário é a loja de lembrancinhas. “Claro, melhor uma lembrancinha do que nada”. Mas a indignação é tanta ao ver o preço das tais lembrancinhas que ele decide dar o cd mesmo. Se o amor for verdadeiro ela vai aceitar assim como ele aceitou por educação o presente de sua avó. Doce ilusão. Doce inverno.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Rato não, camundongo!

“Mas amor, é só um rato”.

Sei que falar isso não foi muito inteligente, porque defender um rato quando seu futuro está em jogo, é algo a se considerar algumas vezes antes de se fazer. Acho que foi uma das últimas frases que disse para aquela mulher. Parece também que ela me respondeu algo como “Chegar em casa bêbado em casa toda noite, eu posso suportar. Agora, trazer um rato para casa e o chamar de filho é a gota d´agua”. Tive que abandonar meu lar.“Toma essa coisa nojenta, seu animal”.

Saí ,então, com o “Gota d´agua”. Não entendia como ela podia ter raiva daquele bicho tão querido e simpático. Sentei ao lado de uma poça de lama, esperando que a resposta caísse do céu para mim. Choveu. Gota d´agua começou a rosnar de frio em sua gaiola. Não podia deixar ele ali, chorando. Caminhei com ele até o parque, e nos abrigamos embaixo da figueira central.Estava ali, refletindo. Aquela mulher me odiava, e eu nem a menos sabia o motivo real. Que eu fosse um cafajeste? Sim, mas e daí? Que eu fazia pouco caso de seus sentimentos? Sim, mas e daí? Que eu queria tirar a idéia dela de ter um filho, lhe dando um animal de estimação? Sim, mas e daí?

E daí, que eu fui expulso de casa. E daí, que estava com frio. E daí, que meu melhor amigo era um rato. É, pensando bem minha vida estava uma pequena bosta. Uma grande bosta para falar a verdade. Alias, uma tremenda bosta, porque Gota d´agua tinha acabado de fugir. Saí a sua procura, e para meu espanto, pela primeira vez na vida eu pensei. Sabe, é aquilo quando você fala algo de útil para si mesmo. Algumas pessoas sempre haviam me dito que não conseguiam parar de pensar am alguma coisa que as aflingia. Eu nunca havia as entendido.

Que bom, já sabia o rumo que tomaria da minha vida. Que bom, que bom.Retornei a minha casa, acordei minha mulher, disse que a amava, que me perdoasse e que me amasse novamente. Nisso, meu chefe Ricardo me enxeu de porrada, e eu virei um rato. Rato não, camundongo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Guia LARANJAS de Picaretagem Cultural - Cinema

O LARANJAS inaugura sua nova seção de auto-ajuda, que fará com que você se saia melhor em debates culturais, através da mais popular das formas de arte: os filmes. A sétima-arte é importante na busca de afinidade com outros seres humanos e também uma válida aliada na arte de se mostrar superior culturalmente. Há pessoas que consideram isso uma forma de sedução. Assim, você também pode se interessar por nosso guia no campo dos relacionamentos, já que as películas fazer parte da vida de qualquer casal, desde aquele cineminha empolgante do começo até as pilhas de DVD dos insuportáveis fins-de-semana quando tudo já caiu na rotina. Talvez, ao demonstrar ser um entendido, você quebre paradigmas e consiga convencer a sua gatinha a assistir com você a um filme pornô que tenha boa fotografia e direção de arte.

O ponto aqui não é de fato entender, mas se fazer passar por um expert. Antes de mais nada, portanto, é importante lembrar que você deve limitar suas opiniões cinematográficas a pessoas mais ignorantes que você. Evite pessoas que verdadeiramente entendam do assunto ou que se demonstrem viciadas, perguntando ao interlocutor a sua lista de cinco filmes preferidos; se o sujeito se recusar a responder, temendo cometer injustiças ou ativar o seu desprezo, é porque tem uma relação doentia com o cinema e entende muito mais que você. Por outro lado, pessoas que indicarem animações, filmes de ação e comédias pastelão são um excelente alvo.

A primeira dica que o LARANJAS dá é a seguinte: em geral, ninguém sabe bem qual é o papel de um diretor na realização de um filme. Roteirista, ok. Ator, óbvio. Diretor, porém, é um ente misterioso. Portanto, se você demonstrar que conhece diretores, impressiona os incautos. Tenha um diretor favorito, não importa qual seja. Seria interessante que você soubesse um ou dois filmes feitos pelo cara, mas não é essencial: quando perguntado sobre qual filme você indicaria, responda "todos, acho impossível avaliar a obra dele sem contemplá-la por inteiro". Muitos diretores têm caixinhas de DVD que geralmente estão em promoção nas lojas do ramo; vale a pena comprar e deixar na estante, pois lhe dará credibilidade e causará uma boa impressão em potenciais conquistas, além de servirem como bons apoios para os livros que você também não leu. Por fim, sempre trate seu diretor preferido apenas pelo sobrenome: Scorsese, Coppola, Tarantino, Spielberg, Kubrick, etc. A única exceção é Woody Allen, a quem você pode se referir carinhosamente como "aquele pederastinha", a fim de denotar intimidade e impressionar ainda mais.

Fellini, Bertolucci e Antonioni. Godard, Truffaut e Vadim. Herzog e Wenders. Almodóvar. Itália. França. Alemanha. Espanha. Cinema europeu é um terreno espinhoso, mas não para quem pretende falar apenas com pessoas comuns. E pessoas comuns não vêem filmes europeus. Nós simplesmente não entendemos os diálogos filosóficos, os pêlos pubianos e o uso pouco ortodoxo de tabletes de manteiga como elementos relevantes no roteiro. Assim, é um terreno válido pra você falar rigorosamente qualquer coisa, pois há uma probabilidade de 96% de seu interlocutor nunca ter visto um filme feito fora dos Estados Unidos. Talvez tenha visto, no máximo, um filme do Almodóvar, mas ou ele dormiu no meio ou achou coisa de viado. Aliás, definir cinema europeu como um todo como "coisa de viado" também é interessante, até porque é verdade. No mais, decore alguns dos nomes que abrem esse parágrafo. São diretores. Cite-os e ponto final. Se quiser, diga que são "profundamente chatos e entendiantes, mas muito interessantes". Sua vítima não vai entender nada e concluirá que você é um sujeito com uma densidade de pensamento invejável.

Por fim, tenha opiniões preconceituosas e contundentes. Ser polêmico, para pessoas mais rasas, é sinônimo de ser inteligente. O ideal é que seus comentários beirem o cult, como "não vejo filme nacional porque se eu quisesse ver pobre sofrendo ficava em casa vendo a empregada lavar a minha privada". Ou "não vejo filme indiano por questões higiênicas". Um "ultimamente larguei o cinema convencional e tenho visto apenas pornografia lésbica, porque gosto dos enquadramentos mas não curto ver rolas no meu telão de plasma", dito de forma séria e num ambiente receptivo, pode ser surpreendentemente positivo. Talvez até convença a sua gatinha a uma sessãozinha a dois.

domingo, 25 de maio de 2008

Homem tenta fugir de polícia carregando uma perna de boi!

Ontem, quarta feira, dia 7 de maio de 2008, após assaltar um açougue na região do largo da Freguesia, um homem identificado pela polícia como sendo Daniel Nunes da Silva foi preso tentando fugir com uma perna de boi. Ele foi detido em meio aos risos dos taxistas e dos pedestres que estavam na região.

O assalto ocorreu às dez horas da manhã. Três homens renderam os funcionários do açougue. Dois deles ficaram responsáveis por pegar todo o dinheiro do caixa, enquanto Daniel deveria cuidar dos reféns. Mas ele acabou se distraindo com alguns itens do balcão, e enquanto ele roubava as carnes, os reféns aproveitaram para chamar a polícia, que fazia plantão em um Banco próximo ao açougue. Dois sujeitos não identificados correram para a Cidade de Deus, enquanto Daniel ficou para trás, com a perna do animal.

Em relatório oficial, a polícia disse à imprensa que eles levavam o meliante para a delegacia e de repente “ele rompeu o porta do camburão em que estava sendo transportado e sumiu”. Eles só foram perceber que o assaltante havia desaparecido quando chegaram à delegacia e o dono do açougue, Carlos Henrique de Oliveira, tentou registrar a queixa. Uma testemunha que prefere não ser identificada disse que viu “um homem saltando do camburão da polícia, mas não quis acreditar no que via. Nunca imaginei que alguém realmente pudesse fugir de dentro de um camburão. Depois o vi correndo em direção da Cidade de Deus, ou da Barra, não sei bem”.

Algumas testemunhas foram levadas à delegacia para fazerem um retrato falado, que ficará pronto até amanhã, quando começam as buscas na Cidade de Deus e Barra da Tijuca. Além disto, foi encontrado um carro no local do assalto, mas o dono dele ainda não foi identificado. A polícia acredita que ele tenha alguma ligação com os assaltantes.

Esta é a terceira vez que o açougue é assaltado desde sua fundação em 2002. Em entrevista Carlos Henrique confessou que nunca tinha visto “em toda a vida uma situação tão inusitada. Parece até piada”. O resultado do assalto foi um saldo negativo de 850 reais roubado do caixa, uma perna de boi e os danos causados a estrutura do estabelecimento, que ainda não foram contabilizados.

Esta não é a primeira vez que alguém foge com um item inusitado de um açougue. Em 2005, aconteceu nos Estados Unidos algo parecido. Na pacata cidade de Houston no Texas um jovem americano, chamado John O´Neill, invadiu um açougue e fez os funcionários reféns por 14 horas. Depois obrigou os funcionários a lhe cortarem 12 quilos de filé mignon. Ao tentar fugir em sua caminhonete ele foi perseguido por policiais durante trinta minutos, invadiu uma escola do ensino fundamental, ligou para sua ex-namorada e se suicidou com a arma do crime, um revólver calibre 32. Um final um pouco mais trágico do que seu colega brasileiro.


Notícia baseada na página 369 do livro Cidade de Deus de Paulo Lins

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Anedota Infame!

- Lembra do Mário?
- Qual Mário?
- Aquele, do joguinho!
- É, ele existe.
- Sim, e é encanador.
- Um encanador? Espera aí, que eu já pego o número.
- A Cláudia estava precisando de um encanador?
- A Cláudia estava querendo um encanador?
- A Cláudia está tendo um caso com um encanador?
- Ele se chama Mário?
- Mário, que Mário?
- Ah, aquele Mário.
- Armário?
- Sim, sim. Tão dizendo por aí que a Cláudinha comprou um armário.
- A Cláudinha comprou um armário?
- Sim, me falaram que foram em 15 prestações.
- E teve que dividir em prestações?
- Ela deve estar precisando de dinheiro.
- A turma está fazendo uma vaquinha. Você deseja contribuir?
- É, parece que ela atrasou o pagamento do pessoal. Tão até chamando ela de vaquinha.
- Coitada. Atrasou.
- É, então. Tadinha. Atrasada em 3 prestações.
- Ela está atrasada em 3 prestações?
- Ela está atrasada com o pagamento?
- Ela está atrasada?
- Ela está grávida?
- Falaram que a criança tem pai.
- Tem pai, mas ele está por aí.
- Tem pai, mas ele nem sabe ainda.
- Tem pai, e ele é trabalhador.
- Tem pai, e ele é encanador.
- Eu vou ser pai?
- E daí que você vai ser pai? A Claudinha está precisando de um trabalho urgente.
- Eu vou ser mãe?
- Pai, lembra do Mário?
- Que Mário? Ah! Aquele Mário.

domingo, 18 de maio de 2008

Seção Presunto Fresco: Zélia Gattai

Você consegue citar, de cabeça, um livro escrito pela recém falecida escritora baiana Zélia Gattai? Pois é, nem eu.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Novelaranjas: "A gênese de um cafa" (Capítulo IV)

Capítulo I ; Capítulo II ; Capítulo III

Para ler ouvindo: Kid Abelha - A fórmula do amor


- Há situações em que o produto é até bom, mas a empresa não sabe vendê-lo. Geralmente é um problema nos canais de comunicação com o público, ou mesmo definição errada desse público.

Olha, não é que se pode aprender algo de útil na faculdade?

- E outra coisa: de repente pode ser interessante que você entre com um preço de penetração de mercado, ou seja, venda seu produto um pouco mais barato para que ele comece a circular. Já ouviu aquela história de que uma criança só quer um brinquedo que o amiguinho já tem? É mais ou menos por aí.

Alguém já deve ter escrito um livro de auto-ajuda aplicando ferramentas de marketing para a sedução. Deve se chamar "Jesus, o maior pegador que já existiu" ou "120 estratégias de marketing das pessoas sexualmente felizes".

- Mas tu não disse ainda, garoto, qual produto que tu queres vender?

Dei um migué no meu professor de marketing. Eu queria vender o meu corpo, mas disse pra ele que queria vender a minha alma. Ele riu. No fundo, era verdade. Queria me transformar em algo que era contra a minha essência, que era de ser um cara que respeitava as mulheres. Mais tarde eu descobriria que não precisava deixar de ser esse cara, apenas precisava que ele aparecesse nas horas certas.

Enquanto isso, eu queria aprender mais. Comecei a freqüentar, então, lugares pródigos em coroas, que não têm muito tempo a perder. Aqueles mesmo. Isso, esses aí. E elas gostavam de mim. Devia ser o letreiro luminoso na minha testa que dizia "semi-virgem". Eu pensava que coroas guerreiras teriam um instinto maternal aguçado, que deveriam querer ensinar algumas coisas pra caras mais novos como eu. Ledo engano. O que mais rolava eram coisas na base do "deita aí e não me atrapalha". Algumas delas chegaram a dizer literalmente isso. Não deu pra aprender muita coisa. O lado bom é que eu geralmente ganhava um lanchinho gostoso na cozinha das coroas. Era o tal instinto maternal que eu imaginava.

Outra coisa boa desses lugares (aqueles mesmo), é que conhecidos meus também os freqüentavam. E a minha taxa de sucesso era consideravelmente maior que a deles, decerto por causa do letreiro. Impressionados, esses caras, que estudavam Administração na UFSC comigo, começaram a me chamar para outras baladas, freqüentadas por pessoas da nossa faixa etária. E, claro, por meninas que estavam Administração na UFSC comigo.

Elas me atraíam como velas às mariposas. Um desejo suicida. Eu tinha uma necessidade brutal de pegar uma delas. Normal, todo mundo quer participar do placar secreto, aquele que todo mundo conhece, que rola internamente nos cursos de uma universidade. O meu caso era ainda mais justificável: eu queria abrir a minha contagem. Foda é que eu não conseguia de forma alguma. Eu ficava de papinho, queridão, até algum canalha notório do curso resolver em poucos minutos o que eu levava horas para não conseguir. Minha reação oscilava entre a pura revolta e a consternação, mas sempre envolvia muito álcool. E, às vezes, bêbado a gente observa as coisas com mais clareza. Numa dessas noites, comentei que os caras deviam entender mais de marketing que eu. Belo insight, garotão. Era exatamente isso.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Uma Novidade da "Séria" Central Globo de Jornalismo

Após reconhecer, tardiamente, a capacidade que os telejornais da emissora possuem em produzir famosos, a cúpula da Central Globo de Jornalismo se reuniu ontem, após o Jornal Nacional, com o objetivo de tomar alguma medida para seguir nesta linha com mais profissionalismo. Depois de 23'38" de reunião o que ficou decidido entre o diretor responsável Carlos Henrique Schroder, o diretor executivo Ali Kamel e mais uns três ou quatro que eu não reconheci, por ter faltado a última reunião de cúpula, é um tanto surpreendente...

Até sábado, será anunciada a contratação de Nelson Rubens, da RedeTV! Isto mesmo! O maior especialista da televisão brasileira, em famosos, se junta a equipe de jornalistas da emissora carioca com a função de pinçar, no vasto material produzido todos os dias, algo que possa tirar do anonimato pais assassinos, padres voadores, jogadores confusos, travestis arrependidas, entre outros personagens do cotidiano brasileiro. O maior problema constatado já nesta reunião decisiva foi a questão de onde encaixar o fofoqueiro na programação imutável da Rede Globo. A reportagem do Laranjas passou pelos telejornais, inclusive pela revista semanal, o Fantástico, para saber a reação dos novos colegas em relação a novidade.

No Bom dia Brasil, chegamos um pouco atrasados, mas encontramos Renato Machado babando na Renata Vasconcellos. Perguntado sobre a novidade, Renato não esboçou reação alguma, apesar de ter parado de babar. "Vai acabar vindo pro Bom dia Brasil. Já to acostumado. Todo dia chega um novo na redação. É o telejornal mais democrático da casa. Tem a Miriam Leitão, monstra da economia, aliás em todos os sentidos, que não deve dormir e por isto foi parar num jornal tão cedo. Tem também o Alexandre Garcia, que até pouco tempo era só o step da Globo e resolveram encaixar ele como o Jabor da manhã e... ah! Tem mais. Além do Tadeu Schmidt com seus comentários oportunos e engraçadinhos agora tenho que aguentar o Noronha, que é alguém que tava passando na frente do Projac tranquilo e foi convidado a comentar futebol... é... mas do que a gente tava falando mesmo, meu filho? Ah sim, do Nelson Rubens. Então, acho que é isto". Ficamos meio sem jeito de continuar a entrevista, pois era visível a necessidade de ficar a sós que os dois demonstravam. Seguimos...

Ligamos às 8:30 para o dinossauro Cid Moreira. Eis sua resposta sobre a vinda de Nelson Rubens. "Olha, depois de apresentar o Jornal Nacional de bermudas, interpretar um texto de Leonel Brizola, gravar horas e horas a Bíblia Sagrada e ver mágicas seculares serem desmascaradas pelo mascarado (risos), eu não duvido de mais nada. Menos desta informação que o senhor está me dando. Não é possível". Tentamos convencer o esclerosado de trocadilhos infelizes, mas acabamos pegando no sono com a sua voz hipnotizante.

Mais tarde, no Jornal Hoje, o jovem Evaristo Costa, sucessor eterno de Carlos Nascimento, disse que o jornal em questão tem pouco espaço na programação e só serve como ponte para o Vídeo Show. Segundo ele, encaixar o Nelson Rubens no JH tiraria a expectativa da grande massa em relação ao programa inútil seguinte, pois ele trataria dos mesmos assuntos, além de reduzir o tempo de almoço dos cidadãos brasileiros, que é a função mor cumprida pelo Jornal Hoje, na programação global. Achamos coerente e prosseguimos.

Chegamos na redação na primeira chamada ao vivo entre-novelas do Jornal Nacional. Willian Bonner e Fátima Bernardes não se olhavam. Aproveitando a possível briguinha do casal já chegamos de sola no perfeitinho:

Laranjas - Qual a importância da Fátima no JN?
Bonner - É... - olhou ela meio sem graça e disse meio sem prestar atenção nas palavras - Ela é a mulher do programa. Não, quero dizer... ela é muito importante, pois participa de toda a produção, é perfeita nas edições, cuida bem das crianças, ops... É...
Laranjas - E você trocaria ela pelo Nelson Rubens?
Bonner - Na apresentação do Jornal você tá dizendo, né? (L -urrum) Eu considero ele um bom jornalista, mas na área dele. Acho que o quadro de jornalistas da Globo já é bastante saturado e restringe ainda mais quando o assunto é apresentação - uma olhada pra Fátima, que de braços cruzados batia o pé ligeiramente no chão - apesar de considerar a Fátima insubstituível, claro.
Laranjas - Inclusive no casamento?
Bonner - ... (silêncio) - Neste momento, Fátima Bernardes seguiu em direção a sala da redação enfurecida proferindo palavras chulas inimagináveis em ser tão perfeitinho.
Laranjas - Você sabia que o Nelson Rubens é o novo contratado da Globo e vai ser encaixado em algum telejornal para desenvolver a capacidade de produzir famosos através de noticiários?
Bonner - O quê?!
Laranjas - Sim. E cogitam a hipótese dele vir a substituir sua excelentíssima esposa.
Bonner - Com licença, por favor. Boa noite!

Willian Bonner saiu rapidamente em direção a sala. Da discussão ouvimos apenas algo envolvendo Galvão Bueno e cobertura da última copa. Porém, saimos satisfeitos por receber um "Boa noite!" exclusivo do perfeitinho.

Antes do Jornal da Globo, ligamos para o apresentador do Globo Repórter, Sérgio Chapelin, para saber o que ele acha sobre a contratação de Nelson Rubens. "Boa noite! Pernilongos, borrachudos, mosca varejeira. No programa de hoje você vai conhecer o mundo destes excêntricos representantes da fauna brasileira. Na verdade, você não vai conhecer nada, pois isto é uma secretária eletrônica personalizada. Deixe seu recado após a vinheta de abertura". Esperamos toda a música, mas ele não atendeu a nossa reportagem.

Ligamos ainda para o que, dentre os telejornais, mais produz famosos por edição graças as notícias, entrevistas e shows da vida real. Representando o Fantástico, Zeca Camargo nos atendeu educadamente ao telefone. Disse que não se importava com a nova contratação e que o Fantástico estaria de portas abertas para ele. "Quem sabe um novo quadro? Ou no próprio 'Central de Boatos'... quem sabe o Kubrusly não leva ele junto pelo Brasil. Nossa! Fiquei entusiasmado com esta notícia. Qual é o seu nome, mesmo?". Inesperadamente a ligação caiu. Mas íamos sugerir mais um quadro para o Fantástico. "Entrevista ensaiada", com Patrícia Poeta (a mulher que desbancou a funkeira, Glória Maria).

Já exausto e sem saber o porquê daquela iniciativa chegamos a redação do Jornal da Globo. William Waack, com sua expressão de moribundo e coitado, tomava café tranquilo a espera do final da novela. Ao saber da novidade ele mudou toda a expressão de moribundo e coitado e se pôs surpreso. Depois voltou a expressão de moribundo e coitado, coitado.

Laranjas - William Mer... ops! William Waack. Renato Machado foi a favor da vinda dele, Evaristo Costa, argumentou contra, o Bonner, disse que tanto faz. Enfim, qual é a sua opinião?
Mer... - Acho que o Jornal da Globo já está no limite de comentaristas. Acho que a medida a ser tomada seria contratar de volta a Ana Paula Padrão.
Laranjas - O que tem uma coisa a ver com a outra?
Mer... - Então, a Ana Paula Padrão encaixa no perfil que a gente procura pro Jornal da Globo e não o Nelson Rubens, claro.
Laranjas - Mas e a... como é o nome dela mesmo?
Mer... - Ela trabalha bem, mas tu ia gostar de trocar a Padrão por ela?

Deve ser por isto a expressão de moribundo e coitado, coitado.

Por fim, quase desmaiando de tanto trabalhar, chegamos ao final das entrevistas. Cabia apenas ligar para a cúpula e repassar o que coletamos para ajudar na decisão de onde por o Nelson Rubens. Carlos Henrique Schroder começou a rir descontroladamente. "Você acreditou mesmo nesta história? Foi só uma ironiazinha que o Kamel estimulou e virou uma piada. Pior que ninguém riu mesmo depois que eu disse isto. Mas a gente não pediu para que fizesse este trabalho todo também (risos)".

Pensando bem realmente não tem fundamento tal informação, mas quem duvidaria do chefão do jornalismo da Globo?